Escritos do Império
Algumas das mais belas cartas e imagens da história do Brasil imperial
Esta coleção particular reúne documentos e imagens excepcionais que atravessam quase um século de história do Brasil imperial, do Rio de Janeiro de 1823 até o exílio na França no início do século XX. De forma cronológica, o conjunto permite acompanhar o nascimento do Estado brasileiro, o exercício do poder, a intimidade da família imperial e, por fim, a queda da monarquia e a vida no exílio de figuras centrais como Dom Pedro I, Dom Pedro II e Princesa Isabel. Cartas escritas no calor dos acontecimentos, retratos assinados, desenhos íntimos e pedidos vindos do povo revelam a História não como abstração, mas como uma experiência humana vivida. Este conjunto é fruto de 15 anos de pesquisas, encontros, negociações e muita paciência, e tem como objetivo contribuir para a preservação e a transmissão da memória do Império do Brasil.

1. Em 1823, José Bonifácio ordena controle imperial sobre as minas de diamantes em Minas Gerais.
Em fevereiro de 1823, poucos meses depois da Independência do Brasil, José Bonifácio de Andrada e Silva escreve esta carta no Rio de Janeiro para tratar de um assunto estratégico: o controle das minas de diamantes em Minas Gerais. Falando em nome do imperador Dom Pedro I, ele ordena que o governo da província analise o pedido de um cidadão que quer explorar a chamada “demarcação diamantina”, uma área especial criada para controlar a extração de diamantes. O documento mostra como o novo Império do Brasil estava se organizando, tentando manter o poder central forte e proteger suas riquezas naturais. Assinada pelo homem conhecido como o “Patriarca da Independência”, esta carta única revela, de forma muito concreta, como o Estado imperial começava a mandar, regular e decidir sobre o território e a economia do país que acabava de nascer.


2. O 9 de junho de 1831, Dom Pedro I escreve do navio do exílio e pede proteção para seu filho, deixado no trono, o futuro Dom Pedro II
Escrita em 9 de junho de 1831, a bordo da fragata inglesa The Volage, no porto de Cherbourg, esta carta de Dom Pedro I é um testemunho direto do exílio. Poucas semanas após abdicar do trono do Brasil, ele escreve a um amigo, talvez José Bonifácio de Andrade, que havia demonstrado lealdade e amizade à sua família nos tempos de poder. O tom é ao mesmo tempo digno e profundamente humano: Dom Pedro fala do alívio após as “tormentas da política”, relata a travessia marítima e menciona a saúde da ex-imperatriz, enquanto afirma estar fisicamente melhor do que nunca. O trecho mais comovente surge quando pede que esse amigo continue a proteger seu filho — o futuro Dom Pedro II, então com apenas cinco anos — deixado no Brasil à frente de um Império instável. Escrita no próprio navio do exílio, esta carta excepcional captura o instante exato em que o fundador do Império deixa de ser soberano e fala como pai, homem e exilado.

3. Adolescente, Dom Pedro II prepara-se para assumir o poder.
Nesta carta rara, escrita por volta de 1838 ou 1839, vemos Dom Pedro II ainda muito jovem, treinando desde cedo para governar o Brasil. O texto, totalmente manuscrito por ele, trata de algo aparentemente simples e prático: o envio de um material vindo do Maranhão, sua chegada ao Rio de Janeiro e a necessidade de confirmar se tudo foi recebido corretamente, além de providenciar o que ainda faltava por meio de outras oficinas. Mas por trás desse tom cotidiano está algo maior: um imperador em formação, aprendendo a administrar, a cobrar informações e a organizar decisões. Cartas escritas de próprio punho por Dom Pedro II durante a infância são extremamente raras, o que faz deste documento uma peça única. Ela nos aproxima do jovem que, poucos anos depois, assumiria o trono e se tornaria uma das figuras centrais da história do Império do Brasil.


4. Em 1857, o pai de Joaquim Nabuco escreve uma carta denunciando o tráfico de escravos
Em meados do século XIX, quando a escravidão ainda sustentava a economia brasileira, esta carta revela um momento de tensão e mudança. Escrita e assinada em 1857 por José Thomaz Nabuco de Araújo, então Ministro da Justiça do Império, o documento alerta as autoridades provinciais sobre navios suspeitos de continuar trazendo africanos escravizados ao Brasil, mesmo depois da Lei Eusébio de Queirós, que havia proibido oficialmente esse tráfico em 1850. O tom é firme e administrativo: o governo imperial exige vigilância e o cumprimento da lei contra um comércio ilegal que insistia em sobreviver. A carta ganha ainda mais força simbólica quando lembramos que seu autor era pai de Joaquim Nabuco, que mais tarde se tornaria o maior nome do movimento abolicionista no país. Esse documento mostra bem a contradição do período: um Estado que tentava frear o tráfico, mas ainda aceitava a escravidão, e uma família que, em duas gerações, passou da aplicação limitada da lei à luta decisiva pela liberdade.

5. Em 1862, a princesa Leopoldina escreve a uma amiga, de promessas do "papai" Dom Pedro II e da frustração de não poder comer doces.
Escrita em Petrópolis em 1862, esta carta mostra Princesa Leopoldina do Brasil aos 14 anos em plena adolescência. Dirigindo-se com carinho à amiga Chica, ela fala de saudades, de visitas recentes, de pequenas novidades da casa e até de uma frustração bem juvenil: o médico lhe proibiu os doces. Entre esses detalhes simples, conta também que Dom Pedro II lhe prometeu algo — não identificado ainda — que a deixou muito feliz. Escrita com ortografia espontânea e tom leve, a carta transmite a naturalidade de uma jovem que ri, se aborrece por não poder comer bonbons e se alegra com pequenas liberdades, apesar de viver no centro do poder imperial.

6. Em 1870, Dom Pedro II manda uma carta para um Cardeal italiano, com o selo de cera vermelho absolutamente intacto.
Em 31 de maio de 1870, Dom Pedro II escreve do Rio de Janeiro a uma importante autoridade da Igreja Católica na Europa, o cardeal italiano Giuseppe Milesi Pironi Ferretti. O conteúdo é respeitoso e diplomático, mostrando o diálogo constante entre o Império do Brasil e o mundo europeu. Mas o que torna esta carta realmente impressionante não é apenas quem a escreveu, e sim como ela chegou até nós. O documento está em estado de conservação excepcional: o papel e a tinta parecem quase novos, e o selo de cera vermelha, usado para fechar a carta, está absolutamente intacto, como se tivesse sido aplicado ontem. Isso só foi possível porque a carta foi cuidadosamente guardada por gerações, dentro de uma caixa de madeira, protegida da luz, da umidade e do manuseio excessivo. Mais do que uma mensagem imperial, este documento é uma verdadeira aula de história e de preservação, mostrando como um simples gesto de cuidado pode atravessar séculos.
7. Em 1871, Dom Pedro II expressa em um francês perfeito sua admiração pela matemática e pelo direito sucessório.
Em outubro de 1871, durante uma de suas longas viagens pela Europa, Dom Pedro II escreve de Viena, capital do Império Austro-Húngaro, uma carta surpreendente, redigida em francês perfeito, a um professor europeu. Nela, o imperador comenta com entusiasmo tratados de geometria, textos acadêmicos e até um artigo do Código Napoleônico sobre a divisão da herança entre filhos legítimos e naturais. Para Dom Pedro II, a matemática não era apenas uma ciência abstrata: ele acreditava que o mundo seria mais justo se o raciocínio matemático fosse mais difundido na administração e no direito. A carta revela um governante raro para seu tempo — um monarca que se via como estudante, que viajava para aprender, trocar ideias e absorver conhecimento. Mais do que um documento diplomático, este texto mostra o lado intelectual de um imperador que acreditava que ciência, educação e justiça caminham juntas.


8. Em 1875, a Princesa Isabel desenha Pedro dormindo, seu primeiro filho recém nascido.
Em outubro de 1875, em Petrópolis, Princesa Isabel faz algo muito simples e profundamente humano: desenha seu filho Pedro dormindo, ainda bebê. O desenho é delicado, feito em papel de seda, com poucas linhas suaves, e acompanhado de uma anotação em francês escrita por ela mesma: “Baby, dessiné par Isabelle”. Pedro era seu primeiro filho sobrevivente, nascido após a perda traumática de Luísa, que morreu no parto. Por isso, este pequeno desenho carrega um peso emocional enorme. Mais do que uma obra artística, ele é um gesto de amor e de alívio, feito por uma mãe que finalmente pode contemplar seu filho em paz. Sabemos que a Princesa Isabel gostava de desenhar e pintar, hábito incentivado por seu pai, Dom Pedro II, grande defensor das artes e da cultura. Mas exemplos assim são raríssimos. Este desenho nos afasta dos grandes atos políticos e nos aproxima da vida íntima da família imperial, revelando uma jovem mãe, sensível e carinhosa, num momento silencioso de felicidade depois de muita dor.

9. Em 1884, a Princesa Isabel e o Conde d´Eu escrevem uma dedicatória em um grande retrato.
Por volta de 1884 ou 1885, a família imperial brasileira posa para este belo retrato: Princesa Isabel, o Conde d’Eu e dois de seus três filhos homens. A fotografia, em grande formato, foi dedicada com carinho a Leonídia Vieira Braga Ribas, com uma mensagem escrita de próprio punho pelo Conde d’Eu e assinada por ambos. O gesto é íntimo e afetuoso, revelando um lado pessoal do casal imperial em um momento em que estavam concentrados na vida familiar e na educação dos filhos, antes das grandes tensões políticas que marcariam o fim do Império. A imagem transmite elegância e equilíbrio: o afeto evidente da Princesa Isabel pelos filhos contrasta com a postura mais rígida e militar do marido. Fotografado por Alberto Henschel, um dos grandes pioneiros da fotografia no Brasil, este retrato não é apenas uma imagem bonita, mas um raro testemunho da vida privada da família imperial. As assinaturas e a dedicatória, feitas ainda antes do exílio de 1889, tornam a peça especialmente valiosa e nos aproximam de um Império visto não como poder, mas como família.
10. Em 1887, um fotógrafo alemão retratou em Paris o Imperador Dom Pedro II, a Imperatriz Teresa Cristina e o herdeiro do trono, o príncipe Luiz de Orléans e Bragança.
Em 12 de outubro de 1887, durante uma estadia em Paris, Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina posam para este elegante retrato ao lado do herdeiro do trono, o príncipe Luiz de Orléans e Bragança. A fotografia foi realizada por um fotógrafo alemão em plena capital francesa, num momento em que o casal imperial viajava pela Europa por motivos de saúde, cultura e interesse científico — algo habitual na vida de Dom Pedro II. O que torna esta peça verdadeiramente excepcional é o fato de o retrato ter sido assinado por ambos, o imperador e a imperatriz. Poucos anos depois, em 1889, o Império chegaria ao fim, e documentos autografados do casal tornaram-se ainda mais raros. Este retrato capta não apenas uma família real em viagem, mas um Império em seus últimos momentos de estabilidade, visto através de uma imagem solene, silenciosa e hoje quase única no mercado.








11. Homem de progresso, o Imperador do Brasil busca todas as inovações científicas em Paris e se esforça para criar pontes entre seu país e a França.
Este conjunto de sete cartas revela um lado fascinante de Dom Pedro II: o de um governante que usava a escrita para construir pontes entre o Brasil e a ciência europeia. Redigidas em francês, entre Petrópolis, Rio de Janeiro, Paris e Cannes, as cartas são endereçadas a grandes intelectuais da época, como Jules Taschereau e o químico Marcellin Berthelot. Nelas, o imperador recomenda jovens cientistas brasileiros, pede notícias sobre pesquisas, comenta teorias científicas e reafirma, várias vezes, seu amor pela ciência e pelo progresso. Não é conversa de protocolo: Dom Pedro II escreve como um colega, curioso e entusiasmado, mesmo sabendo que seu cargo o impedia de ser cientista “de verdade”. Essas cartas mostram como ele tentava, nos últimos anos de seu reinado, fazer o Brasil aprender com a França e entrar no mundo moderno pelo caminho do conhecimento. É um retrato raro de um imperador que acreditava que livros, laboratórios e professores podiam mudar o destino de um país.



12. Em 1888, a Princesa Isabel recebe uma carta extraordinária de agradecimento pela Lei Áurea, um emocionante pedido de ajuda financeira e a solicitação de um veterano da Guerra do Paraguai para ser condecorado com a Ordem de Cristo.
Estas três cartas, recebidas em 1888 por Princesa Isabel, mostram o impacto humano imediato da assinatura da Lei Áurea. A primeira é um agradecimento emocionado pela abolição da escravidão: o autor celebra o fim de mais de três séculos de cativeiro e chama o gesto de um feito “gravado na história com letras de ouro”. A segunda carta muda o tom e revela a dura realidade social do período: um súdito pobre descreve dívidas, fome e o desespero de sustentar a família, pedindo ajuda direta à princesa, vista como última esperança. Já a terceira vem de um veterano da Guerra do Paraguai, que pede reconhecimento oficial por seus serviços, solicitando a Ordem de Cristo. Juntas, essas cartas contam uma história poderosa: a alegria da liberdade recém-conquistada, a miséria que continuava a atingir muitos brasileiros e a busca por justiça e reconhecimento. Elas mostram como a Princesa Isabel se tornou, naquele ano decisivo, um símbolo de esperança — e também o peso enorme que suas decisões tiveram sobre a vida real das pessoas.
13. Em 1888, uma sociedade científica italiana envia uma carta honorífica à Princesa Isabel para reconhecer seu papel humanitário na Lei Áurea.
Poucos meses depois da abolição da escravidão no Brasil, a repercussão do gesto atravessa o oceano. Em novembro de 1888, uma sociedade científica e cultural de Nápoles envia esta carta oficial à Princesa Isabel, concedendo-lhe um diploma honorífico por seus méritos humanitários. Escrita em italiano, em papel timbrado e com carimbo institucional, a carta elogia sua contribuição para o progresso da civilização e para o bem da humanidade, seguindo o tom solene das grandes academias do século XIX. A remetente, a Società Internazionale d’Incoraggiamento, dedicava-se a promover ciências, artes, letras e ações morais exemplares, e via na Lei Áurea um acontecimento de alcance universal. Este conjunto de documentos mostra como a decisão tomada no Brasil em 13 de maio de 1888 foi imediatamente percebida na Europa como um ato histórico e humanitário, projetando a imagem da Princesa Isabel muito além das fronteiras do Império.


14. A Princesa Isabel e seu filho Pedro, ainda criança, assinam um retrato com o pai e avô, o Imperador Dom Pedro II.
Este retrato reúne três figuras centrais da história do Brasil: Dom Pedro II, sua filha Princesa Isabel e o neto Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, ainda criança. A fotografia foi assinada pela Princesa Isabel e por Pedro, já no período do exílio, provavelmente na França, depois da queda da monarquia em 1889. Mesmo em estado médio de conservação, o documento é carregado de simbolismo: ele mostra uma família deposta do poder, mas unida, atravessando um momento de ruptura histórica. A assinatura de Pedro é particularmente rara e comovente — feita quando ainda era menino, herdeiro de um trono que já não existia mais. O retrato parece quase um gesto íntimo, talvez um presente ao avô, o imperador destronado, reunindo três gerações que marcaram profundamente o Brasil: o construtor do Império, a “Redentora” da escravidão e a criança que cresceu longe de sua pátria.


15. Exilada na França, a Princesa Isabel organiza concertos com jovens músicos.
Esses dois cartões de visita manuscritos revelam um lado pouco conhecido e muito tocante de Princesa Isabel durante o exílio na França. Longe do Brasil e do poder, ela continua a agir: organiza concertos, convida pessoas, pede apoio para encher a sala e dar visibilidade a jovens músicos que protege. No primeiro cartão, escrito em francês com delicadeza, a Princesa pede ajuda para distribuir ingressos de um concerto beneficente em favor de seu projeto musical — não por vaidade, mas para que seus “jovens protegidos” possam tocar diante de uma sala cheia. No segundo, mais curto e direto, ela convida alguém para ouvir música em Boulogne-sur-Mer, revelando um cotidiano simples, feito de encontros culturais. Esses pequenos cartões mostram que, mesmo exilada, Isabel não abandona aquilo em que acreditava: a cultura como forma de dignidade, educação e esperança. São fragmentos raríssimos da vida privada de uma mulher que fez história com um grande gesto político, mas que também continuou, em silêncio, a cuidar dos outros por meio da música.



16. A Princesa Isabel, seu marido o Conde d´Eu e Luiz, o herdeiro do Casa Imperial, assinam seus retratos.
Este conjunto reúne três retratos assinados que contam, em silêncio, a história da família imperial brasileira depois da queda do Império. No primeiro, vemos Princesa Isabel já no exílio francês, retratada de perfil e assinando a imagem com firmeza e elegância. Longe do Brasil desde 1889, ela aparece aqui como uma mulher resiliente, marcada pela fé, pela memória da monarquia e pela causa que a tornou eterna: a abolição da escravidão. O segundo retrato traz seu marido, Gastão de Orléans, assinando de forma incomum com seu nome completo, gesto raro que aproxima o militar e príncipe consorte de um registro mais pessoal. O terceiro mostra Luiz de Orléans e Bragança, filho de Isabel e herdeiro da Casa Imperial, ainda jovem, também no exílio. Sua assinatura é extremamente rara e carrega um tom quase melancólico: ele fazia parte de uma linha sucessória que nunca reinaria. Juntos, esses três retratos assinados formam um poderoso testemunho do pós-Império — não mais o Brasil do poder, mas o Brasil da memória, da família e de um destino interrompido pela História.
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